Sentimentos e perda de peso

Como você já entende o funcionamento do corpo diante de determinadas situações e a importância da atividade física, vamos falar sobre o que realmente faz diferença: a nossa cabeça!

Temos dois fatores fundamentais para o emagrecimento: (1) ter um bom motivo para emagrecer e (2) pensar antes, durante e depois de comer.

Já tive pacientes que consultaram anos atrás e não conseguiram emagrecer pois não fizeram a dieta proposta e nem praticaram atividade física. O momento de começar um programa de reeducação alimentar é muito importante. Você deve estar focado, disposto e ter muita disciplina. Portanto, se você é daquelas pessoas que acreditam que "ah, vou fazer a dieta 2 meses e depois volto a comer tudo", NEM COMECE. 

Motivação é essencial - seja porque você vai casar (noivas são sempre muito motivadas), seja porque é um problema de saúde, uma questão financeira e por aí vai - ter um objetivo e uma meta é essencial.

Um bom exemplo de motivação é aquele paciente que chega muito incomodado com o peso no consultório, suas roupas quase não entram mais e ele segue todas as orientações para perder peso mais rápido. Esse mesmo paciente, depois de emagrecer uma grande quantidade de quilos, retorna ao consultório dizendo que sai da dieta algumas vezes, e os quilos restantes não vão embora de forma alguma. Embora quisesse, nunca conseguia atingir a meta. Fazendo uma análise: no primeiro encontro a motivação estava alta, pois as roupas não serviam e ele estava insatisfeito com seu reflexo no espelho. Emagrecendo alguns quilos, a satisfação aumentou e a motivação? Caiu. 

Quando a motivação se iguala ao grau de satisfação, a pessoa pára de emagrecer.


Esse mesmo paciente depois retornou me contando que tinha férias marcadas para a praia no final do ano, e precisava se sentir bem e queria ficar mais magro. A motivação voltou e ele perdeu o restante do peso que precisava. Deu pra entender?

Um exemplo bem interessante: vamos supor que você irá ganhar 500 mil reais para emagrecer seis quilos em dois meses. Aposto que conseguirá. E, incrivelmente, sem ninguém lhe passar uma dieta sequer. Fará ginástica, comerá menos...você vai dar um jeito! Tenho certeza que quando for pegar outro bombom vai pensar: vou comer ou ganhar o dinheiro? Então, para perder peso, precisamos somente de um bom motivo. Se o seu motivo for realmente grande, ele o fará pensar antes de comer - pode ter certeza.

Escolha o alimento de que mais gosta. Pense que você ganharia o carro dos seus sonhos se ficasse sem comê-lo por um mês. Quase todas as pessoas ganhariam o carro, pois vale a pena. Então, quando falar que não consegue ficar sem um determinado alimento, pense nisso. Emagrecer é um motivo, mas o que há por trás disso? Auto-estima? Saúde? Bem estar? Descubra o que o impulsiona e siga em frente.

Pense antes de começar a comer. Primeiro identifique o tipo da fome: fisiológica ou psicológica. São sintomas do primeiro tipo: dor no estômago e queimação, tontura, tremores, vista escura, enfim, tudo o que sentimos quando estamos muito tempo sem nos alimentar. 

Já a fome psicológica acontece não por situações metabólicas, e sim por outros motivos como ansiedade, gula, ou simplesmente, vontade de comer por outro motivo (tristeza, falta do que fazer, briga com alguém querido, etc).  É sempre mental e não corporal  e ocorre em diversas situações: diante de tira-gostos, churrasco, sobremesa, episódios de ansiedade, ociosidade ou quando passamos na cozinha e, sem nenhum motivo, abrimos a geladeira à procura de qualquer coisa.




Se você já se arrependeu depois de ter comido muito - "pra quê fui exagerar tanto?" - é porque não pensou enquanto comia. Alimentou-se de forma automática, sem nem perceber o que estava mastigando. Respire um pouco enquanto come e faça uma análise do seu comportamento para não se arrepender depois.

E lembre-se: nunca mastigue algum alimento olhando o próximo pedaço a ser comido.


Adaptado do livro "As Verdades que Você precisa Saber", de Rodrigo Paiva.