Carboidratos e uma maratona: a história de João (parte 1)

Essa é a história de João:

"Uma noite, após algumas cervejas, meu melhor amigo apostou que eu não terminaria uma maratona. Como alguém que nunca foge de uma aposta, decidi me inscrever para a maratona de Chicago, que seria três meses depois. Meu treinamento era esporádico, mas sou um corredor bastante forte e estava me sentindo muito confiante com minhas corridas ocasionais de 16 km. Foi uma viagem de carro  de seis horas até Chicago, para a qual saímos mais mais tarde que o planejado, de forma que não paramos para comer, mas compramos alguns petiscos quando paramos no posto para abastecer. Na entrada do hotel, era quase meia noite e estávamos famintos. Procuramos pelo jantar na lanchonete mais próxima, onde eu pedi para aumentar as porções para os tamanhos extragrandes; afinal de contas, eu ia correr a maratona. Na manhã seguinte, eu dormi demais, de forma que não tive tempo para o café da manhã.

Tudo estava indo bem até os 30 km, quando comecei a sentir como se estivesse me arrastando - como se tivesse trocado meus tênis de corrida por nadadeiras. Reduzi minha passada e continuei, quando no quilômetro seguinte eu vi meu melhor amigo me animando. Sua pele me pareceu estranhamente esverdeada. Um quilômetro e meio adiante apareceu novamente, mas dessa vez estava de cor azul. No mesmo momento, eu senti como se outro competidor estivesse montado sobre as minhas costas, mas eu estava cansado demais para discutir com ele, então decidi que apenas levaria nós dois até a linha de chegada, nem que fosse rastejando. 

Após cerca de 800 m, eu percebi que todos os outros competidores estavam correndo na minha direção. Depois disso, só me lembro de que estava olhando para o chão. Isso foi quando uma pessoa se abaixou e disse: "Ei amigo, acho que já chega pra você! Os médicos estão a caminho". Mais tarde eu descobri que eu caí porque havia esgotado meu glicogênio".

Continua no próximo post.