Tudo que você precisa saber antes de reduzir o seu estômago

Muitas pessoas acreditam que basta fazer a cirurgia bariátrica que terão todos os seus problemas resolvidos. Bem, não é por aí. Sabemos hoje que a obesidade é uma doença crônica e grave, e precisa ser tratada como tal. E tem controle. Portanto, se você é daquelas pessoas que pensam em operar, saiba que precisará fazer dieta, atividade física e tomar suplementos de vitaminas e minerais PARA O RESTO DA VIDA. Se você quiser permanecer magro, claro. 

Dito isso, vamos a alguns esclarecimentos importantes:

1. No período pré-operatório a expectativa de perda de peso após a cirurgia deve ser realista. Ninguém vai virar top model de uma hora para a outra (e, provavelmente, nunca). Muitas pessoas passam de obesos mórbidos grau 3 para obesos grau 1. Outros, entram na faixa do sobrepeso. Somente alguns indivíduos acabam normalizando o peso corporal.

2. Oito em cada dez pacientes referem melhora significativa de sua qualidade de vida.

3. A quase totalidade das doenças associadas à obesidade melhora muito com a perda (não necessariamente normalização) de peso. Algumas destas doenças, especialmente o diabetes, as alterações de colesterol e a apnéia podem mesmo desaparecer.

4. Bons resultados de curto, médio e longo prazo são obtidos quase que exclusivamente em pacientes que se dispõe a fazer o tratamento vitalício adequadamente. 

5. A taxa de maus resultados ou falha terapêutica é de 20%. A falha terapêutica é definida como perda de menos de 20% do excesso de peso.

6. Complicações e efeitos adversos atingem até 75% dos pacientes. Ainda bem que, na sua maioria, são coisas simples de serem prevenidas e/ou resolvidas. Calma, não solte rojões ainda: "maioria" e não "totalidade". Algumas complicações são extremamente graves, difíceis de serem resolvidas, porém, uma boa parte é facilmente evitável. Na pior das hipóteses, às vezes é necessária uma operação para corrigir problemas que podem ocorrer depois de cirurgias abdominais, como hérnias internas, aderências ou entupimento intestinal. Converse com seu médico sobre isso.

7. Há também casos de reoperação (isso mesmo, você pode "ir para a faca" de novo) em todas as técnicas. Essa reoperação pode ser destinada a corrigir um erro técnico, a diminuir ou aumentar a restrição volumétrica, a diminuir ou aumentar o desvio do intestino. Essas indicações serão feitas após um balanceamento entre efeitos desejados e efeitos adversos em pacientes que, por uma ou outra razão, não estão indo bem depois da cirurgia. Pode também acontecer a conversão cirúrgica de uma técnica para outra, caso se chegue à conclusão que esta é a única saída possível.

8. Maus resultados incluem perda insuficiente de peso, não correção das doenças associadas, estados de má nutrição em graus variados e ausência de melhora na qualidade de vida.

9. A taxa de mortalidade logo após a cirurgia é de aproximadamente 0,5% em centros especializados. 

Nem todos conseguem normalizar o peso depois da operação, por isso, as expectativas precisam ser realistas. Portanto, antes de tomar qualquer decisão, converse com seu médico, tire dúvidas com seu nutricionista e não deixe de marcar um acompanhamento psicológico; que serão peças fundamentais para o sucesso do seu tratamento. A obesidade é uma doença crônica e ainda sem cura, mas tem controle - e a cirurgia bariátrica é um dos métodos mais eficazes para os grandes obesos. 

Por fim, lembre-se: o sucesso do seu tratamento dependerá da escolha correta dos profissionais e principalmente de você. Quando mais esclarecido e disposto a mudar você estiver, melhores serão seus resultados.

Aos interessados, segue uma dica de leitura:



Adaptado do livro "Tudo que você precisa saber antes de reduzir seu estômago", de Adriano Segal e Márcio Mancini.